História do capitão Joaquim José Pereira

Joaquim José Pereira era natural da freguesia de Santa Quitéria de Meca do termo da Vila de Alenquer do Patriarcado de Lisboa, filho de Antônio Manoel da Silva da Freguesia de Nossa Senhora de Mariana e Catharina Maria da Vila de Alenquer do Patriarcado de Lisboa.

Provavelmente tinha estância nas planícies do Rio Grande de São Pedro à época da invasão espanhola de 1763, quando boa parte dos estancieiros fugiu para Viamão.

Sem terras para criar gado, Joaquim José Pereira e outros pioneiros subiram a serra a procura de terras devolutas boas para a constituição de fazendas.

O povoamento das terras devolutas da Fazenda Grande, deve ter ocorrido entre 24/04/1763(data da invasão espanhola) e 28/10/1766, data em que já aparece como fazendeiro em Lages, segundo censo de moradores da serra, feito pelo capitão Pedro da Silva Chaves.

Em 08/01/1767, o governador da Capitania do Rio Grande de São Pedro, Coronel José Custódio de Sá enviou ao Vice-rei do Brasil um ofício com veementes protestos quanto a intenção do governador da Capitania de São Paulo de fundar uma vila na paragem das lages.

Entre os anexos ao ofício havia uma interessante relação dos moradores dos distritos de Cima da Serra, Vacaria e Lages, datada de 28/10/1766 e elaborada pelo capitão Pedro da Silva Chaves, a pedido do Coronel José Custódio de Sá.  Entre os 16 fazendeiros estabelecidos em Lages aparece Joaquim José Pereira.

Os campos de cima da serra à epoca da instalação das primeiras fazendas já se encontravam praticamente despovoados, face o corrente tráfego de tropeiros na rota Viamão – Sorocaba. Em função disso, pioneiros como Joaquim José Pereira tiveram que repovoar suas fazendas com gado, cavalos e muares tropeados da planície gaúcha atravéz de Viamão.

Em 18/08/1768 foi nomeado José de Alencastro para o cargo de almoxarife da Fazenda Real em Viamão.  O novo provedor adotou medidas para aumentar a arrecadação do Registro de Viamão, gerando protestos dos fazendeiros lageanos, que encabeçados por Antonio José Pereira(Fazenda Curitibanos) e Joaquim José Pereira(Fazenda Grande), fizeram requerimento ao rei D. José, solicitando ordem real para que o provedor da Fazenda Real de Viamão permitisse o transporte de cavalos, jumentos e gado para as fazendas da serra sem a cobrança dos provimentos do Registro.

Em 1778, já com a carta patente de capitão, Joaquim José Pereira organizou e passou a comandar a famosa Companhia Auxiliar do Distrito de Vacaria.
Em 1779, sob seu comando, esta Companhia se envolveu numa truculenta ação de represália aos ataques dos índios tapes, cuja repercussão negativa acabou resultando no seu desmantelamento.

A partir daí, o Capitão Joaquim José Pereira voltou a se dedicar aos negócios, amealhando grande quantidade de terras desvalorizadas pela constante ameaça de ataques dos tapes. Como grande negociante de terras e escravos, transitava com muita desenvoltura nas regiões de Vacaria e Lages, onde concentrava seus negócios.

As várias cartas de alforria concedidas por Joaquim José Pereira no Tabelionato de Lages entre 1772 e 1791, nos leva a acreditar que o capitão premiava seus escravos de confiança com cartas de alforria, para utilizá-los como capatazes em suas fazendas. As vésperas de assumir o comando da Companhia Auxiliar do Distrito de Vacaria, registrou a confirmação de uma carta de alforria no Tabelionato de Lages para um casal de escravos. Provavelmente este casal deve ter assumido a capatazia de seus negócios em Lages.

Escravos assumindo a capatazia não era novidade na região. No relato feito pelo Alferes Manoel da Fonseca Paes em 23/03/1781, em Vacaria, o Capitão Antônio da Costa Ribeiro havia se mudado para Laguna e deixado a estância da Costa da Serra aos cuidados de um capataz seu escravo.
No mesmo relato há um registro curioso de que José Rodrigues mudou-se para Laguna e fez a venda da sua estância aos mulatos do Capitão Joaquim José Pereira.

Em 10/11/1786, o Capitão Joaquim José Pereira casou com Ana Maria de Santa Rita, na casa de Oratório do sogro Capitão-Mor de Laguna, João da Costa Moreira.

Este é considerado o primeiro casamento realizado em Tubarão. O casal teve 3 filhos: Umbelina Maria, Paulo José e José Joaquim.

Em 20/11/1791, o casal concede alforria ao mulato Joaquim José Pereira, filho da escrava alforriada Florinda. No mesmo documento o capitão reconhece a paternidade e  nomeia o alforriado seu herdeiro universal.

Em 07/07/1796, morre aos 30 anos Anna Maria de Santa Rita, durante os trabalhos de parto do filho José Joaquim.

Em 30/12/1800, Umbelina Maria Pereira casou com o português Nicolau de Liz e Abreu em Lages.
O casal teve 8 filhos, que deixaram grande descendência na região de Lages, notadamente em Painel.

Em maio/1808, o Capitão Joaquim José Pereira foi o Juiz Ordinário que conduziu o inquérito sobre a morte violenta nas margens do rio Lavatudo do famoso Capitão Januário Garcia Leal (Sete Orelhas).

O Capitão Joaquim José Pereira faleceu em 22/11/1811, na certidão de óbito constava citação de que ele era o mais rico estancieiro da vila de Lages.

Com a morte do velho capitão, seus bens foram divididos entre os filhos, conforme testamento feito em 23/11/1810.

Duarte, J. R. 2016. Especial para o site https://fazendagrande.net/

Referências

Costa, L. Continente das Lagens, Editora FCC, 1979.
Duarte, Dr. Manoel - Transadores e Retirantes. Revista do
Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, Volumes 24-25, Editora Barcellos, Bertaso & Cia., 1944
Oliveira, Sebastião Fonseca de, Aurorescer das Sesmarias Serranas, Edições EST, 1996
Genealogia Tropeira, volume II
1º Tabelionato de Lages, livros 2, 3 e 6
Arquivo Histórico Ultramarino, caixa 79 doc 7144
Museu TJSC, inventário Umbelina Maria Pereira
Museu TJSC, processo 1834 e testamento Capitão Joaquim José Pereira
Cúria Diocesana, Tubarão(SC)
Paróquia Nossa Senhora dos Prazeres, Lages(SC)
Lages Histórica http://lageshistorica.blogspot.com.br/
Pioneiros das Lagens http://pioneirosdaslagens.wordpress.com/
Anúncios